EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA é "1 FILME EM UMA FRASE!"

EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA  é "1 FILME EM UMA FRASE!"
No Twitter, Adolar Gangorra é "1 Filme Em Uma Frase!" ( @UmFilmEmUmaFras ). Sim, amigolas! Adolar Gangorra vai ao cinema sem cueca pra pegar um ar gelado nas bolas e sempre dorme. Depois sai contando pra todo mundo só a parte que ele viu...

domingo, 1 de março de 2009

A SOLIDÃO DA VIDA PRIVADA

Está mais do que provado que o homem é um ser puramente social. Não vive sozinho nem à cacete. Por isso, foi adaptando todas as suas necessidades ao coletivo. Pode-se nascer, crescer, comer, dormir e até morrer com, pelo menos, alguém do lado. Entretanto, existe uma atividade fundamental que foi ocultada, sem explicação, do testemunho do grupo. Condenada a um exílio eterno e sem direito a julgamento. Refiro-me, com pesar, ao solitário ato defecativo, o famoso "fazer cocô", este eremita injustiçado pelo mundo.

O "cocô diário" é imprescindível para a boa saúde do organismo, porém é tratado como uma vergonhosa anomalia biológica. Todo mundo faz, mas ninguém admite: "Desculpe professor, cheguei atrasado hoje porque estava cagando sinistro em casa!" Esta frase não passa de uma utopia maravilhosa simplesmente porque a sociedade resolveu omitir o cagar por ainda não estar preparada para entender sua grandeza e importância.

Por que somos obrigados a fazer cocô sozinhos? Ninguém sabe realmente. A desculpa esfarrapada que cagar é nojento e repugnante não convence nem o mais ingênuo dos mortais. Certos programas de televisão que estão por aí são muito mais repulsivos. A verdade é que se o ser humano tivesse se habituado a obrar na frente do seu semelhante teria desenvolvido enormemente a virtude da tolerância e hoje não teríamos conflitos de nenhuma espécie: brancos abraçariam negros, judeus rezariam com árabes, palmeirenses incentivariam corinthianos, genros odiariam sogras e vice-versa. Porque ao cagar e ver cagar, o homem se humanizaria realmente. Aceitaria melhor o íntimo alheio. Não idealizaria a perfeição e assim seria incapaz de exigi-la do seu próximo. Ali, de cócoras, com as mãos na barriga e com a testa franzida, o indivíduo é apenas mais um cagão, desprovido de vontades, status, quimeras e paixões. É somente e tão somente um manso de espírito, de mente e reto abertos para o Universo. Poderíamos cagar de agachadinhos e de mãos dadas como irmãos... que lindo seria!

A todo o momento a sociedade tenta desesperadamente esquecer que todos os seus 6,5 bilhões de membros fazem cocô todo santo dia... e como fazem! É lei imutável da Natureza. Porém, tudo é arranjado para que nem você se lembre de defecar: "O que? Deve estar havendo algum engano. Eu não faço este tipo de coisa!", ou então: "Quem? Eu? Sinceramente, Fontana, eu nunca produzi um bostolete na vida!" A família, A Igreja, o Exército, a publicidade, todos teimam em ignorar o resultado da digestão custe o que custar. Ninguém gosta de imaginar a Xuxa fazendo uma força dos diabos na privada, só que a verdade nua e crua é que é que a rainha dos baixinhos também estrangula o moreno todo o dia no alto do seu "trono".

Gisele Bündchen? Linda... sexy... perfeita... demite o tolentino assim que lhe dão uma chance! Bruna Lombardi? É só lembrar do seu programa de tv para notar a sua enorme intimidade com a arte de pintar a louça de marrom. Julia Roberts? Caga. Cameron Diaz? Também caga. Sharon Stone? Faz mais cocô do que eu e você juntos! Até os objetos relativos ao universo merdal tentam inutilmente fantasiar a realidade. Veja só: vaso sanitário, toalete, papel higiênico, banheiro, etc. Banheiro? Como se o banho fosse a coisa mais importante a ser feita nesse aposento! Qualquer um pode passar 5 dias sem tomar banho, agora imagine esse mesmo período sem cagar! Hospital na certa! Banheiro, uma conversa! O nome certo deveria ser "cagueiro"!

Infelizmente, um retrato da farsa em que vivemos pode ser encontrado num famoso verso popular que diz: "Quando cago, sinto uma solidão profunda. A bosta bate na água e a água bate na bunda". Um dia, talvez, poderemos ler em uma prosaica parede de banheiro (ou cagueiro): "Quando cago, me sinto aliviado, pois posso olhar para esse cagão aqui do meu lado."

Adolar Gangorra, 58 anos, é editor do periódico humorístico Os Reis da Gambiarra e faz na sua vida pública o mesmo que faz na privada.

Um comentário:

Terry Cunha disse...

Suas análises são ótimas, mas noto uma falta de comentários em muitos dos seus posts. Espero que você esteja recebendo o reconhecimento que você merece. Parabéns e continue escrevendo mais pois já li todos e quero mais!