EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA é "1 FILME EM UMA FRASE!"

EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA  é "1 FILME EM UMA FRASE!"
No Twitter, Adolar Gangorra é "1 Filme Em Uma Frase!" ( @UmFilmEmUmaFras ). Sim, amigolas! Adolar Gangorra vai ao cinema sem cueca pra pegar um ar gelado nas bolas e sempre dorme. Depois sai contando pra todo mundo só a parte que ele viu...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


Sinais Reais do Apocalipse que se Aproxima!

Um dia antes do fim do mundo, ficará bem claro que ele vai acabar mesmo:  o velho teimoso Adolar Gangorra lançará seu primeiro (e último...) livro : 
"PREZADO DOC! - A Improvável Conversa Entre um Médico e um Humorista" escrito em parceria com neurologista Dr. Ricardo Teixeira. Tudo o que você sempre quis saber sobre saúde cerebral mas estava ocupado sendo gordo, sedentário, fumante, beberrão e botafoguense!

Adolar Gangorra e o Dr.Ricardo Teixeira (o nome é péssimo. O médico é ótimo!) usaram centenas de árvores inocentes para gastar bastante papel em plena época da conscientização ecológica - mas como o mundo vai acabar mesmo, quem se importa, né? - para falar de saúde e de humor numa mistura tão útil e engraçada quanto um exame de toque!

Venha encher a cara, confessar seus segredos mais ocultos, se despedir dos amigos, agarrar a primeira mocréia que passar pela frente, ficar nu em cima da mesa e assinar cheques em branco pra galera (Só não compre o livro pois até no Apocalipse há limites, ok? )


Dia 19 de dezembro, quarta-feira, a partir das 18:30, no restaurante Carpe Diem ("Capetinha") na 104 Sul - Brasília. 

Venha logo antes que acabe (o mundo, não o livro, óbvio! )


Abraços!

Adolar Gangorra

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A MAIS MOLE DAS CONVERSAS...


Comprar deveria ser uma atividade legal e tranquila. Porém, devido a fatores como preços abusivos, produtos que quebram assim que saem das lojas, mecanismos odiosos como cartões de créditos, juros e crediários, o ato de adquirir um produto ou serviço vem se tornando cada vez mais problemático nessa nossa sociedade de consumo moderna, descaralhada e porra louquíssima. E como se não bastassem todos esses absurdos, somos obrigados a aturar o PIOR e mais desprezível desses percalços: a famosa e temida a CONVERSA DE VENDEDOR, cretinice sem sentido e que não passa uma lengalenga das mais moles, mentirosa, estúpida e que nenhuma das duas partes acredita. 
Os únicos que creem nessa baboseira inútil são os pregos formados em Administração de Empresas e Marketing que acham que estão inventando a pólvora enquanto só pioram sua enorme fama de idiotas e bobos-alegres...
Eis, abaixo, as 12 piores frases feitas que eles, os vendedores, costumam usar para deprimir as nossas compras do dia-a-dia...

"POSSO AJUDAR EM ALGUMA COISA?"
Pode sim. Pode calar a boca e sumir da minha frente, seu vagabundo. Não fale mais comigo, ok? Sei comprar qualquer coisa muito bem sem um paspalho atrás de mim o tempo todo. Que coisa mais irritante! Se você quiser me ajudar mesmo vá levar meu carro pra lavar e só volte daqui há 20 minutos, ok? Vendedor fica em cima enchendo a paciência só pra ganhar uma mísera comissãozinha de 2 reais... Mas que porra de profissão mais fudida do caralho...


"COMO É SEU NOME?"
Pra que merda eu tenho que dizer meu nome pra esse panaca? Não vim aqui pra fazer amigos. Vim pra comprar um par de cuecas e dar no pira o mais rápido possível. Seria mais honesto se ele me perguntasse: "Você tem dinheiro mesmo ou vai perder meu tempo?" Juro que acharia mais legal! Esses idiotas que fazem Administração de Empresas ficam inventando essas frases de efeito inúteis achando que vão melhorar as vendas e mandam os bossais dos vendedores ficarem latindo essas cretinices sem sentido e que não convencem nem uma menininha de 6 anos de idade. Patético demais, sério.


"TÁ SAINDO MUITO!"
Uma das piores frases de vendedor de todos os tempos... Como assim "TÁ SAINDO MUITO"??? Saindo muito o quê, minha filha? Merda da sua cabeça? Foda-se se os outros estão comprando, não tô nem aí, seu jumento falastrão! Os vendedores acham mesmo que podem convencer todo mundo de qualquer asneira possível! Se os outros estão comprando, aí é que eu não vou comprar porra nenhuma para não parecer mais um idiota na multidão. Mas que lixo mais deprimente de se ouvir.


"FICOU ÓTIMO!"
Aaah, mas que bom que você deu sua opinião sem eu pedir, minha filha! Era isso que estava faltando pra eu levar essa camisa xadrez marrom com rosa brilhante que você me está tentando me empurrar por apenas 8.700 reais! 
Eu estava procurando uma Pólo branca mas graças a sua opinião sincera e isenta vou levar essa linda e exótica mercadoria. Muito obrigado, viu?


"AZUL NÃO TEM... MAS TEM VERDE!"
Puxa, ainda bem que existem vendedores espertos e malandrõs para nos lembrarem a toda hora de coisas que nós não queremos, né? Por que diabos o parasita inútil acha que que ele vai me convencer de comprar OUTRA COISA diferente do que eu estou precisando? Você é maconheiro, seu cretino daltônico? Se eu pedi AZUL não tem com eu levar um VERDE! Isso só acontece na sua cabeça oca de leitor de livros de vendas cretinos como “O VENDEDOR PITBULL" e "QUEM ENFIOU A PICA NO MEU QUEIJO?"


"ELA ESTICA COM O TEMPO"
Séééério? Que bom!! Então eu posso mesmo comprar essa camisa colarinho 28 se eu uso 44? Há, há, mas ela estica com o tempo, né? Então por que se preocupar se o meu amigão aqui, o vendedor desinteressado, me jurou isso, né? Não será problema ficar sendo estrangulado pela camisa umas duas semanas até ela, segundo você, esticar pro meu tamanho correto! Mas você sabia que o cu da sua mãe também estica com o tempo? Eu sou testemunha disso! Vendedores parecem uns mendigos que não conseguem ouvir um "não" mais do que legítimo como resposta, aí começam com uma conversa mole sem fim e muito mal intencionada para insistir numa estupidez onde já se devia ter parado há um tempão.


"A GENTE DIVIDE NO CARTÃO"
Você não entendeu o que eu disse, sua zebra? Eu acabei de falar que não tenho dinheiro par levar uma calça jeans de 5 mil reais. Aí o animal manda essa: "A gente divide no cartão!" É muita cara de pau mesmo! Como assim, seu filho de uma puta? Se eu não tenho dinheiro pra comprar essa parada tu ainda quer que eu me endivide mesmo assim? Já ouviu falar de juros extorsivos, seu animal? Divide sua véia em 12 vezes então, meu chapa! 


"É UM INVESTIMENTO!"
COMO ASSIM essa Melissinha roxa fudida é um investimento? Tu tá de sacanagem, viado? Investimento é casa, terreno, caderneta de poupança e não essa merda aqui! Aí, nunca vá trabalhar num banco ou na Bolsa de Valores, ok? Se você não sabe a diferença entre investimento e perda de dinheiro é melhor tu ficar aqui vendendo sapatos para sempre, seu bunda de cadeia! “Investimento", há, há, há... essa foi escrota demais...


"SÓ ISSO?"
Incrível. Acabei de comprar 35 itens diferentes para o Natal e esse energúmeno ainda me grunhe: "Só isso"? Tá achando o quê? Como assim SÓ isso? Tá pensando que eu sou o Bill Gates? Filho da puta ambicioso... Um vendedor prefere passar por idiota cínico para poder ganhar o máximo possível em sua comissãozinha de merda... "SÓ" é o caralho! Quero ver você pagar essa merda toda, seu lascado.


"APROVEITA E LEVA DUAS"
Claro! Por que não, né? Eu mal preciso de uma, mas, óbvio... Por que não levar duas já que você está falando? Sabe, eu sou uma estúpido que odeia meu suado dinheirinho... Então vou levar umas 18 logo! Que bom que estou APROVEITANDO uma oportunidade como essa de comprar mais coisas do que eu realmente preciso. Ainda bem que tem gente boa e bem intencionada no mundo pra dar as dicas certas pra gente!


"O SISTEMA NÃO DEIXA”
Uma das coisas mais loucas de todos os tempos. Aquele desconto ou aquela divisão da sua compra que o vendedor ou a loja anunciou tanto, de uma hora para outra, não pode mais ser feito. E quando você vai falar com o apanacado do vendedor, ele solta: “O SISTEMA não deixa.” Parece que o tal sistema é uma entidade onipotente que veio de outro planeta somente para impedir você de fazer suas comprinhas nessa loja encardida. Ninguém lembra que a porra do sistema foi feito ou instalado por outros seres humanos e é SIM passível de alterações. E quando você explica isso pro retardado do vendedor, ele repete que nem um papagaio acéfalo: “O SISTEMA não deixa.” e fica olhando para você e piscando os olhinhos com cara de que não tem a mínima idéia do que está falando.


"SUCESSO COM O PRESENTE!"
Só mesmo esses paspalhos formados em Administração de Empresas e Marketing para inventarem uma cretinice dessa envergadura... SUCESSO? Pra que eu preciso ter sucesso com uma loção escrota que eu sou obrigado a dar pra ratazana da minha sogra no Natal? Esses caras ficam cacarejando umas baboseiras vazias para ainda depois você de ter pago uma fortuna e ter sido mal atendido por um maconheiro idiota, ainda tem que ouvir uma imbecilidade como essa? Sucesso com o presente, pra mim, só se você for demitido hoje, seu inseto!


"DEIXA EU TE LEVAR ATE A PORTA DA LOJA"
Grandes merdas! Não sou aleijado não, seu debilóide. Parece até que estou no Palácio de Buckingham e não numa birosca de 1,99 que vai estar falida dentro de um ano. Fique aí mesmo porque não quero que me vejam andando com um vagabundo como você, seu trouxa. Mais uma palhaçada desses pregos da Adm. que  acham que puxar o saco do cliente vai fazer ele compre mais. Não vai não. O preço é tudo, seus cretinos! Todo mundo sabe disso (menos vocês, né?). Depois do preço, a coisa que nós consumidores mais apreciamos é um vendedor MUDO. Só isso.


Adolar Gangorra tem 75 anos, é editor do site www.adolargangorra.com.br e foi o sujeito que introduziu o gerúndio para os operadores de telemarketing para enorme alegria dos consumidores.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

“SE NÃO AGUENTA SEGURAR, NÃO DESCE PRO PLAY!”

Você conhece bem seu próprio corpo? Conhece mesmo? Sabe quais são os pontos fracos e fortes do seu organismo? Claro que tem gente que se gaba por ter um autoconhecimento corporal tão acurado que usa isso pra tentar chupar o próprio cacete, mas me refiro a outro tipo de "sabedoria". É um saber endógeno, de certas nuances não 100% ainda explicadas pela biologia e medicina, um autoconhecimento intuitivo, aquelas situações em que você acha que está sob controle, mas depois descobre que não passa de uma vítima impotente.

Há certos órgãos do nosso corpo que nos deixam na mão, vez por outra. Calma, calma, não tô falando em quem você já pensou. Mencionei ele na quinta linha do parágrafo acima. Pergunto isso porque é bom ter esse conhecimento afiado pois surpresas desagradáveis podem acontecer no futuro. Quem avisa amigo é, diz o ditado. E estando eu em idade mais avançada, cada vez mais sou testado sobre essas mesmas falhas quase todos os dias. O coração que sai do ritmo, a vista que engana, os cabelos que vão embora, a coluna que dói, a barriga que dá inveja em grávida de 9 meses. Há uma defasagem entre meu cérebro e meu corpo. Por exemplo, não posso comer mais as mesmas coisas que botava pra dentro há dez anos. Uma feijoada, aos 25 anos, tinha o mesmo peso que uma banana-prata. 40 anos depois é uma banana-prata que tem o peso de uma feijoada... A verdade é que com a idade o corpo trai a gente. Sou um corno do meu organismo!

Tenho 61 anos, sou escritor e moro no Rio de Janeiro. Tenho uma vida confortável como autor de livros de algum sucesso editorial. Estava chegando de um lançamento em Salvador, Bahia, e minha editora, amiga e vizinha Claudia e sua ótima família foram gentilmente me pegar no aeroporto.

Nessa viagem cometi o grotesco erro de misturar Acarajé, Big Mac e Carneiro com Tâmaras no mesmo dia e no mesmo lugar. Foi assim: acordei meio-dia e tracei o acarajé do restaurante do hotel. Depois fui direto pra livraria na tarde de autógrafos e lá e pelas 4:30 da tarde tive que correr no MacDonald’s e pedir o melhor lixo comestível do mundo: a promoção do Big Mac. À noite fui jantar com meus editores que me levaram pra um restaurante árabe: Cordeiro com Molho de Tâmaras foi o pedido. Assim, essas três iguarias foram parar num mesmo recipiente - o meu estômago - em um espaço de 9 horas. Se imagine botando essas mesmas refeições numa bacia e misturando elas durante 9 horas. Deve ficar nojento, né? Agora imagine essa saroba dentro de um espaço quente e escuro cheio de ácido clorídrico e muita, mas muita Catuaba e Tubaína do Demônio, meus inseparáveis tônicos diários. Não pode dar certo. Não precisa ser formado em Química pra saber que essa mistura vai dar merda. Mas eu, mesmo não tendo diploma em Química, não sei porque diabos achei que ia ficar tudo bem...

No avião já comecei a sentir aquela vontade de cagar miserável e sofrida que produz um frio escroto na barriga. Você começa a suar frio, sente ondas de calor pelo corpo, quer tirar a roupa toda e cagar ali não chão do avião na frente de todo mundo e aquela sensação legal de quem tomou um socão na boca do estômago. E tudo isso acompanhado de uma turbulência agradável que faz você parecer uma coqueteleira gigante prestes a cagar pela boca. Que inferno!

Chegando no Rio já desembarquei com aquela cara de “Quero cagar” mas que só você sabe o que é. Os outros não percebem. No máximo, acham que você tá de ressaca ou que você dormiu mal. Mas, na verdade, você está doido pra botar pra fora uns dois quilos de um cimento marrom nojento o mais rápido possível.

Minha querida Claudia, seu marido Armand e seu único filho de oito anos, o pequeno Tito Lívio, foram graciosamente me encontrar lá de carro. Eles são adoráveis e os primeiros 10 minutos de conversa no carro foram ótimos. Claudia me falou que inauguraram um play ground para crianças pequenas, lindo e super moderno no nosso prédio e que Tito Lívio e sue turminha de alegres amigos já tinham estreado o lugar brincando muito lá. O jovem me contou, animado: “Nós fizemos guerra de areia!’ Muito bem, Tito Lívio!

De repente uma vontade soltar o moreno me pegou com a força de um tsunami! Pensei: “Fo-deu!” Ó puta que pariu minha sogra! Não é possível! Porque isso acontece comigo? Vou ter que fazer cocô na roupa aqui na frente dos outros? Quando era neném faria isso na boa, amarradão, mas hoje em dia, sexagenário, confesso que já perdi o know-how...

Cláudia me fez uma pergunta, mas falava, na verdade, para seu filhinho: "Adolar, você sabe que filme o Tito Lívio e eu vimos outro dia lá em casa? Eu só consegui pensar em "Quero Defecar Aqui e Agora", mas respondi um tradicional e óbvio "Não. Qual?” Ela disse: "Piratas do Caribe"! Ah, que legal. Eu suava que nem um gordo na sauna e fazia uma força hercúlea pra contrair meu esfíncter e ainda tinha que saber que filmes os outros estão vendo com 5 anos de atraso... O pequeno Tito Lívio interveio: "Ôôôô  Adolar, você sabe quem é o herói do Piratas do Caribe? “Eu, desconcentrado, mandei: "Indiana Jones!". Ele berrou no meu ouvido: "Nãããããããããuuuum! É o Jéqui Ispérouuu!" E os dois ficaram me contando animadamente que também assistiram Branca de Neve, A Pequena Sereia, O Rei Leão, O Caralho de Asa, A Puta Que Me Pariu, A Procura de um Banheiro de Rodoviária Qualquer, etc. Estava quase desmaiando e virava o rosto e rilhava os dentes quando senti que a moréia tava saindo forte da caverna. E segurar a moréia não é mole não, meu chapa! Depois que ela bota a cabeça pra fora, não tem volta, brother. Não há força no universo que consiga convencer o bicho a recuar. Não dá! É simples e fisicamente IM-POS-SÍ-VEL!! E nessa luta inglória acabei deixando escapar um pequenino prisioneiro da toca...

Imediatamente, minha amiga Claudia disse em tom alarmado, mas também meio rindo, aquela coisa de mãe que acha tudo lindo o que o filho-neném faz: "Nooossa, o Tito soltou um pum horrível aqui atrás!"
Como o ser humano pode usar sua inteligência para o mal... É incrível, mas em átimos de segundo o cérebro pode pensar da maneira mais terrível para conseguir seus objetivos. Vi ali uma chance de ouro! O pobre Tito Lívio ia levar toda culpa dos litros de metano que eu estava soltando dentro do carro! Sensacional! Ia flatular mais ainda com um álibi infantil perfeito! Achei um bode expiatório, ou melhor um cabritinho expiatório dando sopa!  Adultos não acreditam que outros adultos tenham a coragem de peidar escrotamente dentro de um automóvel com as janelas fechadas e com o ar condicionado ligado! E foi o que fiz, confesso. Fingi que tava ajeitando o cinto de segurança, levantei a bunda do assento e deixei os gases saírem enquanto retinha os sólidos, para o maior bem de todos. Na hora Armand falou alto rindo de nervoso: “Nossa, o que que é isso! Caramba, Tito, esse foi forte, hein? Tá doente, cara? Caraca, tem até que abrir a janela. Viu, Cláu? Cê fica dando Doritos, MacDonalds, Angu do Gomes e outras porcarias pro menino, agora dá nisso aí, né?”
E o pobre Tito Lívio gritando com sua voz fininha de criança: "Não fui eu! Não fui eeeeeu!" Que maldade... tão novo e já tão vítima de uma calúnia tão horrorosa. Naquele momento fiquei consternado com a maldade que eu mesmo tinha acabado de perpetrar contra uma pobre criança inocente, mas o sentido de sobrevivência física e moral peidou mais alto. Tive que fazer isso. Tito Lívio, meu querido, tenho que lhe dizer uma coisa: O mundo é mau. Há guerras, ganância e um ex-presidente que fala como um Pinóquio de nove dedos. Há pedofilia, trabalho-escravo e o programa da Angélica. Sim, meu caro Livinho. Sacrifiquei sua inocência sem hesitar pra não encagalhar seu carro na frente dos outros. Os adultos são assim. Eles se levam a sério demais, né? “O mundo é um moinho”, já dizia a música daquele cara do nariz estranho. Não há muitos mocinhos 100% corajosos como o Homem-Aranha que você tanto admira, meu amigo. Minha dignidade e minha samba-canção nova de seda estavam em jogo. Me perdoe, mas adultos não lidam bem com encher a calça de cocô, muito menos dentro de um carro. Desculpe, meu querido mas nós somos assim, os adultos. Entre nós e as crianças levarem a culpa por fazer tolices, não tenha dúvida: Vocês é quem vão pagar o pato (ou o patinho de borracha, que seja...). Nessa hora, o pobre Tito Lívio já estava meio sem voz de tanto berrar que não tinha sido ele e chorava copiosamente se degladiando e esperneando deitado no banco de trás com tamanha calúnia enquanto Cláudia e Armand discutiam exasperadamente por causa da suposta expurgo estomacal gasoso do filho que era algo similar ao cheiro de um macaco molhado morto à tapa tomando sol há duas semanas na beira do Tiête enrolado com um tapete velho de funerária com gemada e Campari Cereja vomitado por um bêbado gordo cariado e com amigdalite... Que coisa mais desagradável... Eles só concordaram no ponto que semana que vem vão levar Tito Lívio ao médico. Coitadinho...

Mas a verdade é que não adiantou muita coisa. A mistura sacolejante de uma gororoba africana, dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim (e muita química desconhecida!) e pedaços cozidos de Ovis aries com molho de Phoenix dactylifera  ainda estava se comportando como uma lontra viva querendo sair pelo meu curuzu de qualquer jeito. Estava fazendo um esforço sobre humano pra manter esse alien dentro de mim enquanto rezava pra chegar logo em minha casa para poder fazer esse exorcismo fecal sozinho sem ultrajar ninguém. Foi quando ouvi Cláudia dizer: “Aí Armand, deu mole...” E ele respondeu em tom desanimado:  "É ... Dei mole...”
Armand acabara de ERRAR a entrada pro meu bairro para logo parar o carro em um engarrafamento gigante. Como assim “Deu Mole”? Tá drogado??? Você nasceu nessa cidade, seu animal!! Não pode errar!! Estou prestes a estragar o estofamento do seu carro pra todo o sempre e você nos diz simplesmente  que “Deu mole”? Cara, eu vou cagar seu carro inteiro, seu imbecil! Tu tem que botar 200 por hora e subir na calçada!!! Mole vai ser a merda que vai escorrer no estofamento novinho do seu carro, seu viado desatento!

Mas tem horas que a gente admite que a derrota parece ser inexorável. Percebi que iria ter que afastar o banco do carona no qual eu estava sentado para trás, agachar no espaço criado junto ao banco, tirar as calças e cagar com força no tapete do carro novinho dos meus amigos enquanto botava as duas palmas das mãos cobrindo meu rosto em sinal de absoluta vergonha. Não tinha mais saída. Se eu não cagar em 8 minutos vou morrer ou vou começar a arrotar cocô. E esse engarrafamento de merda vai durar 1 hora no mínimo! Como eu, um adulto formado, ia defecar na calça enquanto uma criança de 8 anos mantinha perfeitamente o controle sua funções digestivas? Onde está a justiça no mundo?

Impedir um bostolete de sair de dentro de você quando ele quer e precisa sair é o mesmo que ir numa Escola de Samba na Concentração e chegar na comissão de frente no dia do desfile e dizer: “Aí, vocês não vão poder desfilar mais, beleza? Todo mundo pra casa dormir agora, ok?” Não há Capitão Nascimento que consiga!

Por um absoluto milagre Armand, o desatento, entrou em uma ruela que deu numa pista em que não havia mais tráfego. Que alívio! Uma lágrima escorreu do meu rosto. Na verdade era suor pois estava quase entrando em choque naquela hora de tanto fazer força pra não cagar 5 quilos de merda na calça. Que situação mais miserável ficar preso num carro enquanto se precisa evacuar. De qualquer modo, comecei a afastar o banco pra trás...

Cláudia, animada, me fazia perguntas as quais eu só conseguia responder monosilabicamente pois quando você está tentando muito fechar um buraco do seu corpo não ajuda em nada ficar abrindo um outro. Eles me deixaram na frente do meu prédio. O deles é mais acima. Dei tchau enquanto lembrava que o lesado do Armandinho falou em “MacDonalds” naquela hora né?  Ora mas taí... era pra eu me fuder mesmo...

Sai andando que nem esses caras da Marcha Atlética do carro importado deles – salvo de uma desvalorização eterna por questão de segundos – e me dirigi muito rapidamente para a portaria do meu edifício.
Porém, mais uma vez, mais fui traído por outro órgão desse meu corpinho tão metido a engraçado. O meu cuzão, você diriam? Não, meus amigos... um órgão muito mais maldoso e abjeto que esse e que perde feio de importância social para o antes citado durante o Carnaval. O famigerado cérebro! As poderosas forças do subconsciente me pregaram a hilariante peça que é a seguinte: quanto mais perto você está de chegar na privada para expurgar até os pulmões, alguma coisa dentro da sua cabeça começa a dizer bem alto e com todas as letras que você não precisa trancar mais seu esfíncter com toda sua força e assim você começa a cagar na calça involuntariamente há 10 metros da latrina.. O que antes, longe de chegar em casa, era uma situação difícil porém administrável perto da sua residência se torna um dos maiores problemas do mundo, depois apenas do advento do Sertanejo Universitário. É foda, moçada!

Comecei a suar mais frio ainda e tentei exercer uma pressão de 4 toneladas por milímetro cúbico no olho do meu cu tentado manter  
essa popular válvula corporal muito bem travada. Esforço em vão. Quando fui chegando perto da portaria um curioso fenômeno aconteceu: meu cérebro parou de obedecer  ao dono e agora tinha vontade própria. E a vontade era a de agachar ali e cagar no hall de entrada de um condomínio de luxo no carpete caro, felpudo e novinho na frente de um porteiro usuário de um bigodinho e oriundo do Nordeste do país. Sério: eu odeio meu cérebro! Que filho de uma puta!

Mas não me daria por vencido assim. Sou um orgulhoso do caralho. Defeito que seja, mas não gostaria que o vídeo da câmera de segurança do condomínio, devidamente editado, virasse um hit mundial no You Tube com o titulo “Velho Gagá Caga no Chão Pro Porteiro Ver”.

Desviei pra esquerda antes que o Paraíba acordasse e dei de cara com o Play Ground recém construído do prédio. Nessa altura já estava segurando o “charuto no beiço” e não tinha mais o que fazer a não ser admitir a derrota pro meu próprio corpo e emporcalhar meu terno italiano pra sempre. Num último sinal de raciocínio lembrei que não poderiam ter instalado as câmeras de segurança no Parquinho pois ele era novo demais. Assim arriei as calças como o canalha do meu cérebro tanto queria há horas e dei um salto na direção do balanço. Me agarrei firmemente nas correntes do brinquedo enquanto nesse mesmo instante explodia violentamente da minha bunda uma saraivada miserável de cocô nojento de várias cores mórbidas pra todos os lados. Só deu tempo de firmar os dois pés no assento do balancinho e fazer força pra não cair na areia com merda e sentir o alívio de fazer uma coisa que sua mãe pediu no Carnaval porém somente terminada no Ano Novo.

E lá fiquei eu, no alto dos meus 61 anos, pendurado na forma de um canivete-humano semi-aberto, rodopiando em um balanço do Play com as calças nos tornozelos e com a bunda de fora espirrando violentamente merda líquida / sólida / gasosa na areia e nos outros brinquedos, durante uns 5 minutos. Foi humilhante? Pode ser. Uma cena bizarra? Certamente. Vou misturar comida baiana com hambúrguer e um bicho que faz “Beéééé!” de novo? NUNCA MAIS!!! (a Catuabinha eu vou deixar... Foda-se!)
Extenuado, porem extremante aliviado, depois de me livrar desse incubus merdal saltei de volta pra não deixar pegadas na areia e também pra não pisar na merda à milanesa que tinha acabado de preparar. Abotoei minhas calças e me esgueirei sorrateiramente pela garagem. Cheguei no elevador de serviço e, insuspecto, alcancei o meu apartamento.

No dia seguinte, minha empregada Janeide me fala ao café da manhã: “O sr. viu Seu Adolar? A selvageria que fizero no parquinho das criança?”  Aí ela me mostrou uma circular que o síndico distribuiu para todos os apartamentos do condomínio dizendo que o Play Ground está interditado devido ao “vandalismo medieval sem precedentes”, que será devidamente higienizado , que a areia toda será trocada e que “muito em breve” câmeras de segurança serão lá instaladas. Soube pela minha própria serviçal que meu grande amigo Tito Lívio e sua turba (agora já trocaram o “m” pelo “b”) estão sendo investigados e que são os maiores suspeitos desse ato inominável de barbárie.
Li calmamente a circular e, olhando sob meu óculos fininho de leitura, disse em tom blasé e censurador: “Já era hora de instalarem essa câmeras. Essa juventude de hoje, Janeide... não sei não, viu...”. E voltei tranquilamente ao meu café da manhã e a leitura do meu jornal...

É, meu caro Tito Lívio... O mundo é mau, meu puro, inocente e pequenino amigo... Mau pra cacete, bicho... Porém, aqui vão duas dicas importantes para você lidar com esse lugar arenoso no futuro: o nosso corpo começa a sabotar a gente com a idade e, se você puder fazer Faculdade de Química seria uma coisa bem legal, brother! Um abraço!


Adolar Gangorra tem 63 anos, é editor do site www.adolargangorra.com.br e usa fraldas geriátricas desde os 25 anos pra economizar papel higiênico e, principalmente, tempo.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

"OLHA O VESTIBULAR AÍ, GENTE!"



         Cá estamos nós de novo para analisar mais um sensacional e alucinante vestibular, esse divertido evento avaliador, único e maravilhoso, que marca a vida de todos os que dele participam. Principalmente dos que estão participando há 2, 5, 7, 10 anos

         Bem, o negócio é que, de ano em ano ou de seis em seis meses, renovam-se as esperanças. As turmas de cursinho, nem tanto. Mas, de uma maneira ou de outra, o vestibular acaba se tornando uma grande festa em que todos em comunhão respondem a questões fácies e, acima de tudo, coerentes! É aquela moleza! Mais moleza do que tomar sopa com garfo, né?

         No caso das universidades particulares, por exemplo, a situação não poderia ser melhor! É só fazer a provinha e ir conferir o resultado, que é sempre positivo e pronto! Depois é bom ir conferir o saldo bancário, que é bom também que esteja sempre positivo! Claro, pois quem é que não tem um mísero Audi A-4 que não pode pagar uma mensalidadezinha de nada, não é mesmo?

         E as Universidades Federais? Quem não conhece? Muita gente boa estudando muito para se tornar membro dessa elite intelectual tão consciente! Esforços extremos para se tornar um vestibulando, depois um universitário e logo em seguida, um grevista! Opa, isso sim é que ativismo estudantil, minha gente!

         Então, já que estamos nesse astral super-positivo, vamos dar uma olhadinha nas questões que a moçada traçou no último vestibular da prestigiosa FUMA - Faculdades Unidas Mato Alto. Este humilde cronista traz, em primeiríssima mão, uma pequena mostra do que você, vestibulando ansioso, vai encontrar por aí. Depois, é só "passar”, meu amigo! (Passar vergonha, passar na secretaria do cursinho para renovar a matrícula, passar o dedo na lista dos aprovados e não achar o seu nome, etc.)


LÍNGUA PORTUGUESA

Nas frases "Vende-se Ovos", "Precisa-se de Empregada Doméstica" e "Juvenal Cortou-se com a Faca", os termos sublinhados são, respectivamente:

a) Conjugação da 4ª Pessoa Pretérito do Passado do verbo Ouvir. A rainha do lar. Eufemismo para hemorragia.
b) Complemento sexual. Escravidão adnominal. Advérbio de estupidez.
c) Troço que o meu pai deixa pra fora da bermuda quando ele dorme no sofá. Dodó. Teimosia louca do Juvenal com a mãe.
d) Artigo masculino singular colado com pronome da 2ª Pessoa do Plural. Quero comer ela. Pressa inexplicável para se descascar um abacate.
e) Forma masculina para "avós". Objeto indireto de carteira assinada. Leva logo esse garoto pro hospital, porra!


INGLÊS

Na oração "Half dozen of cat dropped", temos:

a) Pouca gente
b) More or less six faces.
c) Ai dom nou, titchêr!
d) Os Thundercats
e) Vou pedir para cagar e vou sumir daqui.


BIOLOGIA

Qual dos seguintes órgãos abaixo é responsável pela produção de adrenalina e xilocaína?

a) Orelha e as tripa.
b) Camburão e xilofone.
c) Cu e Drogafone.
d) Cristian e Ralf.
e) Presidência da República e Bolívia.


QUÍMICA

Se adicionarmos a uma mistura qualquer de hidrocarbonetos, 4 miligramas de cloreto de bário e 6 quilogramas de nitrato de cromo, teremos:

a) Uma puta explosão.
b) 28 litros de escudeto de baralho com 3 miligramas de barômetro de
contrato.
c) 140 hectogramas de mijo.
d) Super Nescau.
e) 5 quilos de perda de tempo.


HISTÓRIA

Na batalha dos Artrópodes (Nova Iguaçu, 312 a.C. ), um general se destacou por correr atrás de um legionário que se recusava a ordenhar um mamute. Posto isso, que eram, respectivamente, o general, o legionário e prima do mamute?

a) General Motors, Recruta Zero e Preta Gil.
b) Meu pai, eu e minha mãe.
c) Gal. Costa, Sargento Pincel e Luciano do Valle.
d) Newton Cruz, Asterix - o Legionário e Silvia Popovic.
e) Florzinha, Lindinha e Docinho.


MATEMÁTICA

Se um cone escaleno, com vértice de base 14, tem altura na razão de - 2 dúzias romanas, onde fica o vértice helicoidal do trapézio euclidiano que mede mais ou menos 34.102 m?

a) Na cadeira ao lado.
b) No meio do evangelho quadrangular do triângulo redondo.
c) No Egito, na pirâmide de Gizela.
d) Mitose, meiose e frutose.
e) Desculpe, mas eu só sei até a tabuada do 6.


GEOGRAFIA

O estado de São Paulo é o maior fabricante de tacos de sinuca do Brasil. Sabendo disso, qual dessas cidades vai ter exatos 35.756 habitantes no exato momento em que você estiver lendo esse enunciado?

a) Rio Branco
b) Rio Pardo
c) Rio Preto
d) Rio Imundo
e) Rio de Janeiro


FÍSICA

Se um carro sai da cidade A com uma velocidade constante de 100 km/h e ruma para a cidade B, que dista da cidade A em 100 km, quanto o referido carro irá gastar daquela água do limpador de pára-brisa?

a) Nada. O carro em questão é um Lada escroto e não vai nem sair da garagem.
b) 1 quilo.
c) Não sei. Moro na cidade C, nunca fui na A e acho B uma merda.
d) Sou bóia-fria e só ando de caminhão.
e) Caralho, não agüento mais fazer essa prova porque eu fumei maconha pra não ficar nervoso, mas parece que não adiantou nada. Tô fudido, velho! Meus pais vão me encher de porrada se eu não passar nessa merda e vou acabar tendo que servir o Exército aos 34 anos porque foi isso que o meu avô, que era General, jurou antes de morrer. Velho filho de uma piranha!


REDAÇÃO

Escreva uma redação de, no mínimo, 7 mil palavras ou que pese 850 gramas, sobre um dos temas abaixo:

- Os Grandes Expoentes do Humorismo Esquimó
- O Erotismo na Contabilidade Bancária
- Políticos Brasileiros Honestos


IMPORTANTE:

Em caso de dúvida, lembre-se:
- VOGAIS: a, e, i, o, u
- CONSOANTES: b, c, d, f, g, h, j, k, l, m, n, p, q, r, s, t, v, x,y, w, z


TENTE NÃO USAR EM SUA REDAÇÃO AS SEGUINTES PALAVRAS:

- mortandela
- di menor
- pobrema
- véi
- iorgute
- táuba
- pogresso
- di boa
- tchoize
- tomate seco, mussarela de búfala e rúcula
- cu

É BOM USAR EM SUA REDAÇÃO AS SEGUINTES PALAVRAS:

- zwinglianismo
- palindrômico
- gimnosporado
- nambuanhanga
- suarabácti
- colmatagem
- quark
- sindesmotômico
- pelagoscópico
- cu

Adolar Gangorra, 59 anos, é editor do blog Os Reis da Gambiarra e luta pela erradicação do analfabetismo e também, por questões morais e religiosas, do cufabetismo

sexta-feira, 25 de maio de 2012

“ISSO VAI DOER MAIS EM VOCÊ DO QUE EM MIM!”

Domingo de manhã. Embaixo de um prédio comum uma cena também bastante comum tem início. Um senhor de meia idade e um jovem de aproximadamente 18 anos se colocam em pé, frente a frente, ladeados por uma senhora e um outro senhor. O homem de meia idade tem em sua expressão um misto de raiva e medo, uma combinação clássica. Pode-se perceber que ele possui uma musculatura atlética bem formada indicando que talvez tenha sido esportista no passado. Hoje, porém, esse desenho muscular está encoberto por uma boa camada de tecido adiposo.

No rosto do jovem vê-se basicamente ansiedade e também medo, porém, estranhamente, este parece determinado. A senhora está prestes a chorar. O outro senhor que os acompanha está calmo, resignado, porém atento. Aos poucos, alguns porteiros, passantes e crianças vão formando um círculo em volta do grupo, como se estivessem diante de uma oportunidade de diversão. Os porteiros conversam animados e começam a trocar algum dinheiro pequeno entre si.

O jovem e o senhor se parecem razoavelmente na fisionomia e, dentro de poucos instantes, entrarão em combate físico.


Meus filhos são uns selvagens. Tenho uns 13, se não me engano. O mais bonzinho uma vez laçou a pia da cozinha com uma corda e amarrou ela na máquina de lavar e conseguiu, com a ajuda dos irmãos-marginais, atirar a máquina pela janela só para ver se a pia agüentava. É lógico que não agüentou. Pia, máquina de lavar e alguns móveis que estavam no caminho voaram do 12º andar até a calçada. E o miserável só tinha nove anos! Tive que fazer um papagaio no banco que durou décadas só para pagar o enorme prejuízo com o que o pequeno satanás me presenteou. O que eu fiz para o jovem animal entender que ele não podia fazer uma merda dessa envergadura? Bati nele com vontade? Enchi o gaiato de chineladas? Desci a porrada nele com um cabo de vassoura durante 20 minutos? Não. Fiz melhor. Deixei o aprendiz de hooligan seis meses de castigo para ele

deixar de ser um idiota curioso sobre as Leis de Newton. Foi o melhor pra ele? Não sei. Só sei que foi melhor pra mim. Por quê? Não sou o melhor pai do mundo, mas não consigo bater em criança. De onde eu vim, isso se chama covardia. Não tem outro nome.


Inúmeros pais costumam bater em seus filhos, provavelmente a maioria. Desde surras homéricas e cruéis até “pelo menos uma palmadinha”, como vários adultos ignorantes se orgulham em dizer. É tão comum que é quase 100% aceito pela sociedade. Mas o que há por trás desse fenômeno realmente? Por que os pais costumam usar de violência para advertir, alertar, controlar, conter, coagir, humilhar, subjugar, oprimir, impedir, ameaçar, lembrar, se impor, agredir e, segundo eles e somente eles, EDUCAR seus filhos? Poucas coisas me soam mais hipócritas e cretinas do que essa última. Qualquer verbo para essas mentiras, menos educar, pois não dá pra engolir essa balela mesmo. Poderia ser tudo, menos educar.



Criar e educar crianças não é fácil. Mas parece que essa constatação tão óbvia tende a se dissolver no ar quando o casal está procriando animadamente sem algum tipo de prevenção anticoncepcional. Não existe almoço grátis no mundo, todos sabem disso. Toda ação gera conseqüências (exceto, no caso, a corrupção no Brasil, é óbvio). Ao copularem livremente há a possibilidade de a fêmea da espécie engravidar. Ao engravidar há a possibilidade de nascerem bebês. E, ao nascerem bebês, os mesmos dois que copularam e geraram despreocupadamente um filho são responsáveis pela sua formação. E não é nada fácil realizar essa formação, muito pelo contrário: é extremamente trabalhoso. Levam-se décadas nessa tarefa árdua e sem garantias de sucesso. Mas o que fazem vários casais durante essa dura empreitada? Usam de violência FÍSICA!!! Descem o cacete nos próprios filhos! Bater em criança? Pode parecer normal pelo hábito e por essa prática estar enraizada há séculos em nossa cultura, mas se você afastar seu raciocínio momentaneamente do contexto dessa hábito odioso vai perceber que é um absurdo um pai ou uma mãe bater no próprio filho. Pessoas que rejeitam veementemente essa mesma violência física quando usada contra si, utilizam-na da mesma maneira (ou pior) contra os próprios descendentes. Muitos pais que se indignam quando são assaltados na rua por coação física batem nos próprios filhos em casa, o que é um ótimo contrassenso. Quando o filho apanha na rua de outros de sua idade se revoltam, porém os pais, que, em tese, são ADULTOS costumam bater nos filhos quando eles precisam ser “educados”. Nada mais incoerente do que isso.



O senhor que acompanha o grupo faz um sinal com a mão para que os dois oponentes comecem o embate. O jovem prontamente leva a mão direita aberta ao coração de forma ritualística. A mulher faz uma expressão de alívio. Porém, logo em seguida, o jovem fecha a mesma, formando um punho. Esse gesto quer dizer que ele não deseja verdadeiramente lutar, entretanto vai fazê-lo. Se ele deixasse a mão aberta sobre o lado esquerdo do peito o ritual se encerraria ali naquele instante, deixando claro que ele está desistindo do combate. Por fim, manda a tradição que antes que o duelo se inicie, o jovem pegue um papel no bolso e leia alto a seguinte frase: “Af̱tó tha sas vlápisei perissótero apó mena”. A senhora começa a chorar mais intensamente.



Ao ouvir essa frase, o combatente de mais idade rilha os dentes e ataca primeiro seu oponente. Ele a entende como um desafio pessoal. Isso é um sinal bem claro que ele ainda se considera um líder, um macho-alfa no topo da estrutura de um grupo, e, acima de tudo, que não respeita fisicamente o jovem. Ele se sente na obrigação e bastante à vontade em investir contra o rapaz como se esse ato lhe fosse bastante familiar e automático.



Pais que batem em seus filhos adoram arranjar desculpas esfarrapadas para o descontrole que praticam. Uma das mais famosas hipocrisias nesse sentido é o mote: “Isso vai doer mais em mim do que em você!” que os pais covardes e inseguros latem para seus filhos após os terem agredido. Quanto egocentrismo hipócrita: “Vai doer mais em mim...” Deixem-me contar um segredinho, amigos: NÃO VAI NÃO! Vai doer mesmo na criança, é óbvio. É simples e lógico: o fenômeno da dor não ocorre em que inflige a violência e sim em quem é infligida. Se essa canalhice fosse verdade pai nenhum bateria em filho, pois seria o mesmo que se autoflagelar. Essa frase aviltante é apenas uma desculpa cretina que os pais soltam para seus filhos para tentar se justificar do crime que estão cometendo e para mal explicar seus arroubos, descontrole, ignorância e sua incompetência e falência como pais-educadores. Bater, via de regra, significa infligir dor a outrem. Ou seja, os pais infligem DOR nos próprios filhos! Mesmo que uma palmada seja fraca a criança se vê agredida pela pessoa que ela mais ama. Não precisa ser um Sigmund Freud para saber que isso, se não causar um trauma físico, pode causar trauma psicológico, mágoa, o medo de ser agredido, humilhação, subjugação, insegurança, logo em quem é mais frágil: a criança. Dor? Claro. É mais fácil e mais covarde do que conversar. Conversar, falar, explicar, demora muito pra fazer efeito e dá muito mais trabalho. Então vamos bater, né?



Ergonomicamente, se eu tivesse que escolher que meu filho de 11 anos levasse um tapa de um colega de 12 ou de um adulto, preferiria o tapa da criança. Por quê? Porque vai doer menos. Uma criança de oito anos mede mais ou menos 1 metro de altura e pesa por volta de uns 24 quilos e meio. Um adulto médio no Brasil tem 1,65 m e pesa 70 kg. É óbvio que um tapa de um adulto vai doer mais do que o de uma criança. Muitas pessoas se esquecem que por trás do “bater” existe a dor. Só um idiota cretino não quer ver que é uma covardia qualquer agressão de um adulto contra uma criança. Mas, infelizmente, é isso que vemos por aí a todo instante...



Muitos pais preferem bater na bunda das crianças porque, em tese, doeria menos e não machucaria. Eles anulam erroneamente a possibilidade de por bateram no traseiro a criança ser machucada. Deixando de lado por um momento a horrorosa questão da dor, temos também a agressão psicológica. Os danos emocionais causado em crianças e jovens que apanham são ignorados pela maioria dos pais. Vira “amor” e “zelo” por vontade de educar. Nada mais hipócrita...



Criança nenhuma tem discernimento fisiológico e muito mesmo emocional para apanhar. Toda criança é incomensuravelmente mais frágil física e emocionalmente do que qualquer adulto. Ela não é feita para sofrer agressões. É inocente e geralmente sensível. Não tem musculatura desenvolvida para absorver impacto físico. É bem menor e mais fraca fisicamente do que o adulto e não sabe e nem tem como revidar a altura. A agressão machuca o físico e destrói muitas vezes irrecuperavelmente seu emocional.



O jovem recebe o senhor com um soco justo no nariz, expondo agora o erro grosseiro do velho em matéria de raciocínio de combate. Óbvio... Seu oponente é mais jovem, mais forte e mais rápido do que ele. Porém o senhor não o vê assim. Talvez ainda ache que o mesmo ainda seja uma criança. Está 50% correto porque emocionalmente seu oponente ainda o é, mas fisicamente agora, está bem longe disso...



Os porteiros vibram soltando uns gritos abafados com o golpe certeiro. O senhor recua cambaleante e atordoado. Sua expressão muda de ímpeto para susto. O jovem franze a testa ao mesmo tempo em que arqueia tensamente os lábios para baixo em sinal de arrependimento. O homem não sabe, mas o golpe desferido pelo jovem fraturou seu vômer, o ossículo principal do nariz. Algum sangue começa escorrer do meio de seu rosto. A senhora grita e invoca um nome santo. Entretanto, o que seria de se esperar para um senhor de 60 anos desmaiar após ter seu nariz quebrado, não acontece e ele volta à carga com fúria gritando um palavrão. Outro erro. A memória da voz alterada do senhor atacando dispara no garoto uma reação defensiva em cadeia: uma série de golpes rápidos e não muito certeiros, mas que levam o senhor ao chão rapidamente. Por ordem: um forte tapa na orelha, um soco no queixo de raspão e um chute na lateral do joelho e, por fim, outro chute nos calcanhares de Aquiles, a popular rasteira. O jovem, agora descontrolado pelo medo, continua a tentar socar o corpo do senhor no chão. O jovem está vermelho e, não surpreendentemente, começa a chorar. O senhor que assistia o combate intervém e contém o rapaz. A senhora corre para socorrer o corpo meio inerte e caído do marido.



Um respeitado médico que admiro profundamente estava dando plantão em um hospital público de madrugada quando se deparou com uma maca com um menino de uns oito anos de idade com 70% do corpo queimado que gritava incessantemente pedindo por sua mãe. Angustiado e intrigado, o médico perguntou ao enfermeiro onde estava a mãe do menino. O enfermeiro respondeu: “Dr., ela está na delegacia. Foi ela que jogou álcool nele e tacou fogo no menino...”. Esse caso inaceitável e miseravelmente trágico serve para exemplificar um pouco da força do laço filho-mãe. Essa ligação é uma das mais profundas que existem. O mundo de toda criança pequena são os pais. Mesmo sofrendo atrocidades físicas e psíquicas as crianças não têm capacidade emocional para avaliar a seriedade da questão e nem conseguem imaginar e desejar uma ruptura.



Vários adultos hoje falam rindo que sempre apanharam dos pais, sobre as surras homéricas que levaram com tapas, chinelo, de cinto e até cabos de vassoura, socos, etc. Falam como eram levados e como se fossem culpados e merecedores dessa violência e o fazem desmerecendo o ocorrido como se fosse uma coisa menor. A verdade é que os pais dessas pessoas foram incompetentes como educadores e muito provavelmente apanharam de seus pais também. Essa é também uma prova do poder dessa ligação. Essas pessoas perdoaram seus pais. O menino queimado que grita pela presença da mãe criminosa é a prova cabal da força desse laço. As crianças amam tanto seus pais que relevam o apanhar e o mais sinistro é que os pais sabem muito bem disso. É o conhecido e inaceitável: “É meu filho e eu posso fazer o que eu quiser. Ele vai continuar me amando.”



O homem de mais de meia idade agora está bastante atordoado e não consegue mais se levantar. Está com os batimentos cardíacos muito acelerados pela adrenalina que começa a fazer efeito. O mediador do combate o ajuda a ficar de pé e o leva pra fora do pequeno círculo formado. O jovem recua e volta para o lugar de início e ali espera. O senhor acompanhante olha para senhora que chora nervosamente. A pequena platéia começa a se dissolver satisfeita com a violência apresentada.



Realmente é chocante ver um senhor de idade ir ao chão após uma violenta série de golpes. Há um espanto natural pois a violência sempre gera o choque e, tristemente, uma excitação barata em quem não está envolvido com ela. Mas quem vê aquela cena não conseguiria nunca resumir anos e anos de violência que o garoto, hoje grande e no auge do seu vigor físico, sofreu aos 5, 6, 7, 8, 9, 10 anos, quando ainda era uma criança frágil. Aos 12, 13, quando era um pré-adolescente e aos 14, 15, 16 e 17 anos e 11 meses. Foi tanto tempo de abuso físico perpetrado por seu pai que ele, do alto de sua “sabedoria” juvenil, optou por não romper esse ciclo de violência para paradoxalmente poder, em um único momento, romper esse mesmo ciclo de violência que conheceu desde criança pequena. Reside aí a suposta funcionalidade desse cul-de-sac. Antes era unilateral, vinha só do pai para filho. Agora ele teve uma chance. E quis revidar, por incrível que pareça, para que pudesse se comunicar de alguma maneira com seu pai... Só assim ele pôde se expressar pois o pai que abusa fisicamente do filho não quer dialogar. Ele só quer “falar” em sua língua animalesca. É mais fácil para ele bater no filho do que conversar com ele.

A frase que o jovem leu antes do combate simboliza um pedido para que seu pai não bata mais nele e também que nenhum pai bata mais em seus filhos. O garoto até já relevou a violência que sofreu – como é típico do coração leve dos mais novos – mas teve que devolver a “comunicação” que recebeu durante seus poucos 18 anos por uma questão de fé numa ideologia - também essa típica da sua idade - que vem de um passado distante.



Muitos pais se revoltam quando uma criança apanha de um adulto estranho. Porém, esse mesmos pais não se importam em descer o cacete nos próprios filhos, crianças essas que lhes seriam, em tese, as mais caras de todas. É muito contrassenso. Agressão é agressão, não importa a intensidade, não importa a fonte.

Vejo por aí espantado debates do tipo “Palmada educa?” Como assim? Se violência educasse tudo seria resolvido por ela. Como se sabe, violência gera violência, traumas, medo, revolta. Não constrói nada. Não educa. É medo. Medo burro, cego, surdo e mudo. Não gerará nada de positivo. Então porque não usar o termo “Tapa educa?”. Palmada e tapa são sinônimos. Melhor deixar “palmada”, não é? É menos chocante e mais hipócrita.



Ouço há anos essa conversa mole e pífia que certos pais não são a favor de bater nos filhos, mas que só dão uma “palmadinha leve”. Essa palmadinha leve, no entender de uma criança pequena é tudo menos uma “palmadinha leve”. Isso é na visão do adulto. É uma agressão. Ela se assusta, chora. Não chora pouco, chora alto e muito. Dói, seus filhos da puta! Ninguém pensa que pra ela não é uma “palmadinha leve”. É uma agressão, é uma mágoa, é uma humilhação. Imbecis ignorantes preguiçosos e egoístas que não se põe nos lugar das crianças. Palmadinha leve é o caralho! Queria eu dar uma "palmadinha leve" na cara dos pais que utilizam esse método covarde e ignorante. Posso dar? É leve! Não vai fazer mal, vai educar vocês! Conversa mole do caralho...



Pedagogos explicam que bater realmente não traz resultados positivos na educação dos filhos. Dizem que o processo de educar não pode ser violento, pois a resposta também poderá ser a mesma, uma vez que ensinar envolve uma aprendizagem e o modelo nesse caso é muito importante. É verdade... A resposta pode ser a mesma, né?



A Aeromachía Ekdiki̱tikós Giou-Patéra ou logo depois em Latim, o Pugilatus Vindicantis Filli-Patris, chamado em nossa língua de “Pugilato Vingativo Filho-Pai” foi criado pelos gregos por questão de justiça e cultivado pelos romanos por amor a brutalidade. Era uma prática social comum entre os democráticos helênicos com uma regra bastante simples: se o pai ou mãe optasse por bater em seus filhos quando criança ou pré-adolescente estes teriam o direito de se vingar fisicamente quando atingissem a maioridade. Os pais que decidissem por não usar de violência contra sua prole não teriam que enfrentá-la em combate mais tarde. Para os gregos, povo estrategista em guerra por natureza, a segunda opção era bastante sensata pois não é inteligente entrar em atrito com um oponente no auge de sua força e vigor enquanto o seu antigo algoz já se encontra em franca decadência física. Entretanto, infelizmente, essa sábia opção não foi sendo a mais escolhida...



O filho que apanhou a vida inteira teria uma única oportunidade, totalmente respaldada por esse costume social para devolver ao seu genitor um pouco da violência a que foi submetido durante apenas alguns momentos... O jovem, ao completar 18 anos, pode reivindicar uma única luta contra seu próprio pai ou mãe. Ainda que mais simbólico do que justo, o Pugilato Vingativo Filho-Pai serve como um grito de protesto e, também como um basta.



Essa tradição hoje em dia se dá geralmente nos domingos de manhã e chama pouca atenção pois é prática comum à quase três mil anos. É mais uma herança da Grécia Antiga como inúmeros outros procedimentos que temos hoje em nossa sociedade. Manda a tradição que um adulto - geralmente um parente próximo - medie o combate e que esse se dê em público (norma florescida em Roma, óbvio...). Se o filho ganhar, será uma grande humilhação para seu pai e esse ficará proibido por lei de continuar a bater em seu descendente. Se perder será apenas mais uma das inúmeras surras que levou de seu próprio pai.



Em 2002, uma cena de TV vinda dos Estados Unidos e retransmitida por todos os noticiários chocou milhões de pessoas: no estacionamento de um supermercado, uma mãe entrava no carro, empurrava aos tapas a filha pequena, continuava a socá-la no banco de trás, depois se agachava no banco e continuava a bater, a sacudir e a estapear a menina, sempre batendo e batendo mais. Só se viam os sapatinhos brancos no banco de trás, sacudidos pela dor e pela violência das agressões sofridas pela criança. Revolta demais ver uma mãe bater num filho ou uma babá flagrada num vídeo surrando uma criança. Essa, infelizmente, é uma cena apenas entre inúmeras outras, gravadas ou não que acontecem a todo instante. Em casa, mães e pais dão tabefes no traseiro, no rosto, na cabeça, nas costas ou onde conseguem acertar. Tudo em nome do "educar”. Valem palmadas, cintadas, chineladas, sapatadas, puxões de orelha e de cabelo e beliscões. São CRIANÇAS, porra! Não se agride criança de jeito nenhum. Nem verbalmente, nem fisicamente. É covardia e abuso sério.



Acabei de chegar em casa. Fui informado que o quadrúpede do meu filho adolescente metido a gênio da informática foi denunciado por outros três irmãos da mesma quadrilha por ter fervido a placa-mãe do meu computador para acabar com o suposto vírus que ele ACHA que está impedindo ele de jogar a porcaria do videogame no qual o jumentinho viciado. Essa é a maior estupidez que eu vi em minha vida (e olhem que eu leio a parte de política dos jornais todos os dias...). Esse computador custou uma nota! O que eu vou fazer? Vou mandar o primata inconsequente passar as férias de verão num colégio de padre em Rondônia pra ele ficar esperto. Agora, porrada mesmo o jovem romano não vai levar. Não bato em criança nem em garotos. Nem uma leve palmadinha sequer. Não consigo. Não sou covarde. CRIANÇA NENHUMA DEVE APANHAR. É COVARDIA!


Em tempo: a frase em grego que o jovem leu no papel que tirou do seu bolso significa: “Isso vai doer mais em VOCÊ do que em mim!” Realmente esses gregos sabiam das coisas...


Adolar Gangorra é editor do site www.adolargangorra.com.br , tem 75 anos e encheu seu pai de porrada aos 11 anos quando o velhote não deixou ele ter um revólver de verdade.