EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA é "1 FILME EM UMA FRASE!"

EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA  é "1 FILME EM UMA FRASE!"
No Twitter, Adolar Gangorra é "1 Filme Em Uma Frase!" ( @UmFilmEmUmaFras ). Sim, amigolas! Adolar Gangorra vai ao cinema sem cueca pra pegar um ar gelado nas bolas e sempre dorme. Depois sai contando pra todo mundo só a parte que ele viu...

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O MAPA DO ESTEREÓTIPO DO BRASILEIRO

Ah, você acha que não tem preconceito com os habitantes de outros estados? Vá lá que você seja um brasileiro BEM acima da média: se considera justo, aberto e nunca julga ninguém (rá!). Mas espera um pouco: é só você entrar em algum conflito com qualquer um deles que alguma coisa bem pejorativa vai pintar na sua cabecinha quente na mesma hora.

Não acredita, né? Então, você é à prova de ESTEREÓTIPOS, é isso? 

Bom, o conceito de estereótipo social foi popularizado em pelo escritor norte-americano Walter Lippmann na década de 20. É bastante confundido com preconceito, uma vez que o estereótipo acaba se convertendo em rótulos, muitas vezes pejorativos, e causando um grande impacto negativo em geral.

Também porque é uma noção preconcebida e muitas vezes automática, que é incutida no subconsciente pela sociedade (hummm, conversa meio mole, hein...?). Tá, mas como diabos ela é "incutida"? Que forças fazem um estereótipo se tornar de conhecimento geral sem aparecer no Jornal Nacional toda semana? Ou alguém já viu o Cid Moreira anunciar algo como " Recorde! Em Salvador um suco de laranja foi entregue ao cliente em menos de 7 horas!" 
Mas, concomitantemente a isso, há a cultura de cada região. Comportamentos, hábitos e noções coletivas que existem, sejam eles positivos ou negativos. E o pior: mesmo não se dando em 100% - matematicamente isso seria impossível -, em algum grau eles ocorrem mesmo, não há como negar.

Os neuróticos do politicamente correto vão choramingar que todos os rótulos são frutos exclusivos do preconceito e pronto. Entretanto, o paisano médio acredita neles na boa, sem pensar muito nisso. Mas não haveria um meio termo entre essas duas correntes? E o mais importante: por que o estereótipo negativo se propaga exponencialmente como gonorreia em garimpo e o positivo (sim, ele existe!) não repercute além de um espirro de uma muriçoca? Por que não se divulga mais que o Nordestino é super acolhedor e caloroso? Que o carioca tem um senso de humor extraordinário? Que o gaúcho adora escovar os dentes com a piroca de porteiro de manhã?

É muito doido pensar como essas ideias preconcebidas foram com o tempo sendo viralizadas e se tornaram um padrão em todo país. Ainda mais, como já disse, por serem equivocadas pois é IMPOSSÍVEL rotular milhões de seres com o mesmo comportamento. Afinal, ninguém é formiga, né? (Exceto uma jogadora da Seleção Feminina de Futebol com o apelido escroto... Se bem que Formiga perto da "Michael Jackson" é até legal...)

Mas vamos lá: logo abaixo, temos uma lista de estereótipos famosos sobre os habitantes dos estados do Brasil:

Região Sudeste

Carioca - Vagabundo, Malandro e Maconheiro.

Paulista - Neurótico por Trabalho e Bobão.

Mineiro - Falso, Desconfiado, Come-Quieto, Solidário Só no Câncer, etc.

Capixaba - Quem se Importa?

Região Norte

Amazonense - Índio

Paraense - Índio

Amapá, Roraima, Acre e Rondônia - Dá de brinde essa merda toda de volta pros vizinhos que não faz falta nenhuma.


Região Nordeste

Nordestino - Pobre, Reclamão e Chato ("O nordestino é, antes de tudo um chato!" ). 
Nessa região destacam-se o Baiano (Preguiçoso, Indolente e Macumbeiro) e o Cearense (Cabeça Chata, Porteiro e Assassino de Peixeira). Os habitantes de todos dos outros estados dessa região são chamados genericamente de "Paraíba" no Rio de Janeiro.


Região Centro-Oeste


Brasiliense - Corrupto e Ladrão.

Goiano - Grosso e Comedor de Césio.

Mato-Grossense - Vaqueiro.

Sul Mato-Grossense - Vaqueiro.

Tocantinense - Mesma bosta.


Região Sul

Paranaense - Babaca.

Catarinense- De Florianópolis: Jacu com Praia. Do Interior: Jacu com Suástica.

Gaúcho - Bicha, Separatista e Nazista.


Feião, né? Ok, você supostamente achou todos horrorosos e hediondos e rejeitou-os veementemente franzindo a testa e fazendo um biquinho.
Mas eu apostaria que você se ofendeu mesmo quando leu o estereótipo negativo do SEU estado de origem ou de alguém da sua família, em segundo plano. É assim mesmo, meu chapa. Tá dentro de nós por mais que achemos que não.

Bem, se você bateu o pezinho e ainda não concordou com nada e insiste em não acreditar em estereótipos de modo algum, vou deixar somente uma palavra para você: ARGENTINOS. 
.
Entendeu agora o que eu quero dizer, bicho? : )



Adolar Gangorra tem 81 anos, é editor do site www.adolargangorra.com.br e acha que velho bom é velho morto.

sábado, 13 de agosto de 2016

OS INCRÍVEIS NOMES DOS SURFISTAS

Ninguém sabe bem porquê, mas nenhum outro esporte reúne nomes tão sensacionais como o surf. São tão originais, sonoros e marcantes que parecem terem sido criadas por roteiristas de filmes de ação.

A coisa já começou de maneira espetacular com um nome impactante e fenomenal: Duke Kahanamoku. Depois temos vários outros exemplos incríveis como Shane Dorian, Damian Hardman, Greg Noll, Butch Van Artsdalen, Derek Ho, Barton Lynch, Taj Burrow, Dino Andino, Nigel Oxenden, Maz Quinn, Picuruta Salazar, CJ Hobgood, Mike Diffenderfer, Taylor Knox, Parker Coffin e Booby Jones (não é Bobby. É BOOBY!). Melhor que o ótimo Tom Carrol é Tom Curren (lembre-se: só estamos falando dos NOMES e não do surf dos caras). Entretanto, há um entre eles que tem nome de mulher, mas que soa perfeitamente bem, o 11 vezes campeão mundial, Kelly Slater.

Mas os outros esportes também têm nomes tão legais assim? Bom, vamos nos concentrar no mais popular do mundo, o futebol. São formados centenas de atletas por dia e, por proporção matemática, deveriam gerar nomes fabulosos. Mas, não. É só pedrada. Cristiano Ronaldo, por exemplo, é um nome muito do escroto. Neymar também não é nada espetacular. Pogba? Buffon? Xavi? E “Lionel”??? Isso lá é nome? Na real, o que rola no futebol aos montes são uns designativos escabrosos como Cafuringa, Richarlyson, Credence Clearwater, Sapatão, Vampeta (Vampiro + Capeta), Telefone, Gum, Felipe Mão de Alface, Pipico, Gilmar Fubá, Patrick Barriga de Cavalo, Beto Fuscão, Beijoca, SHESLON, Paulão Desmaio, Riberildo, Boca de Cinzeiro, Luís Boa Morte, Bife, Oliude, Mochila, Odivan (que tristemente foi tirado de uma música do Roberto Carlos, “O Divã”...), Flávio Caça-Rato e Maicosuel que, se fosse surfista, seu nome endireitaria automaticamente pra Michael “Swell”!

Os epítetos dos surfistas são tão fantásticos que os atores iniciantes quando fossem escolher seus nomes artísticos, tinham que ir conversar antes com eles. Por que? Simples, brother! Porquê Derek Ho é muito melhor e mais impactante que Lima Duarte. O cara nasceu Ariclenes e escolheu pra melhorar sua barra o prosaico Lima Duarte... Por que ele não virou Ari Padaratz? A verdade é que se o Ariclenes fosse esperto mesmo e tivesse usado de cara Taj Burrow ou Damien Hobgood já teria ganho uns sete Oscars, no mínimo!
Saca só como melhora: “Não perca a próxima nova novela das oito, O Salvador da Pátria! Estrelando José Wilker, Maitê Proença e Mark Ochylupo como o abobado Sasá Mutema!”

O surf é tão incrível que consegue ser criativo mesmo com o material mais comum. Por exemplo, John John Florence. A simples duplicação de um nome tão comum já o torna inesquecível.

Até quando soa engraçado pra nós a denominação tem estilo e fica marcante como Griffin Colapinto. Ou ainda apelidos legais como Fast Eddie, Tarzan Smith, Doc Ball e Sunny Garcia. Na boa, existiria melhor nome para um surfista que Sunny (“Ensolarado”)? E mais: Midget (“Anã”) Farrelly, Skip Frye, Buzzy Trent e, no caso de Mark Occhilupo, por si só uma alcunha fora do comum, aí vem seu apelido, Occy, que é matador também.


Além de possuírem esses cognomes espetaculares e inesquecíveis os surfistas também são mestres em combinar alcunhas de etnias diferentes. Há vários híbridos que soam como se tivessem sido criados por escritores tarimbados como Johnny Boy Gomez, Titus Kinimaka, Pancho Sullivan, Clay Marzo, Magoo de la Rosa, Rob Machado, Eddie Aikau, Makki Block, Mickey Muñoz e Gerry Lopez.

Até nos nomes de atletas femininas, o surf é fenomenal. Maud Le Car, Dax McGill, Rell Sunn, Brianna Cope, Paige Hareb, Sage Erickson, Coco Ho e Tia Blanco. Como se não fosse suficiente, ainda temos Wendy Botha, Nikki Van Dijk, Sally Fitzgibbons, Tyler Wright, Gwyn Haslock e Malia Manuel. Se este último fosse ao contrário seria mais um português qualquer e não teria graça nenhuma. Mas como é no surf ele é original e difícil de se esquecer.
Na boa, Maud Le Car é um nome espetacular! Podia ser o nome da versão feminina do 007, de uma marca de bolsas ou até de uma linha de automóveis para mulheres!

São nomes tão fantásticos que parecem mantras! E vamos lá com mais baterias impressionantes: Colt Ward, Taz Knight e Angus Gaskel. Mark Foo, Lakey Peterson e Bob Pike. Josh Kerr, Eugene Tollemache e Sion Milosky, Martin Potter, Creed MacTarget e... CREED MACTARGET!!! Puta que pariu minha sogra!!


E no Brasil não fazemos nada feio com ótimos nomes como Teco Padaratz, Heraldo Gueiros, Daniel Friedman, Cauê Wood, Yago Dora, Hizunomê Bettero, Maya Gabeira, Joca Junior (um primor de simplicidade sonora) e Dadá Figueiredo. Duas menções honrosas são Picuruta Salazar (sen-sa-ci-o-nal!) e Peterson Rosa. Isso sim é nome de surfista!

Não tem pra ninguém, moçada! Os nomes dos surfistas são os melhores. Eu mesmo só não virei surfista profissional por causa... por causa... da minha prancha!

Adolar Gangorra tem 59 anos, é editor do site www.adolargangorra.com.br e sempre ouviu pra ir “surfar noutra borrrrda!”



terça-feira, 29 de março de 2016

ELA VOLTOU!!!


Sim, amigolas! O famoso Shakespeare do Cerrado está de volta! O profundíssimo Adolar Gangorra é encenado mais uma vez com o seu "crássico", “EXPLICAÇÃO COMPORTAMENTAL DE EDUARDO E MONICA".
O gente fina, talentoso e destemido ator Fábio Guará, da Tartufaria dos Atores, traz de volta a maior peça do teatro brasileiro depois de “Tem Bibibi no Bobobó!” Melhor que Nelson Rodrigues! Mais jóia que Dias Gomes! Mais deliciosa que a Galinha Picadinha! Vá lá e desmaie de tanto rir!

Então, brother...
O que? A cultuada peça “Explicação Comportamental de Eduardo e Monica”.
Onde? No TUC - Teatro Universitário de Curitiba no Festival de Curitiba.
Em que cidade? Tá prestando atenção, bicho?
What porra is that? A música "Eduardo e Mônica" é destrinchada pelo cientista Adolar Gangorra numa palestra muito diferente e de fazer totô nas calças de tanto rir.
É de comer? Não, é uma comédia, cara...
Quem? A sensacional Companhia Teatral Tartufaria de Atores!
Quando? Dias 29 e 30 de março.
Que horas? No dia 20 é às 12:00. No dia 30 é às 15:00.
Como? Mas tu é chato, hein, bicho!
Quem vai lá? Tu e os fabulosos Fábio Guará e Lucas Tapioca.
Quem dirigiu? O garoto traquinas e levado da breca, Fabio Guará.
Quem escreveu essa merda? Seu amigão, o Shakespeare brasileiro, Adolar Gangorra.
Tem mulher pelada na peça? Não, mas iremos providenciar isso o mais rápido possível!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

SER CARIOCA É...


Aaaah, o carioca... Esse povo alegre, aquela malemolência, aquele balacobaco, aquele telecoteco, aquele jeitinho, aquela burrice do caralho... Dizem que, mais que um povo, o carioca é um estado de espírito... Só se for de porco, é óbvio. O carioca possui uma imagem de malandro e de vagabundo no resto do país. Todo mundo sabe isso, menos ele.
O Rio de Janeiro é a cidade naturalmente mais linda do mundo. Mas o que será que fez que ela ficasse violenta, imunda e mal administrada, hein? Devem ser os paulistas porque carioca sempre implica com paulista, mesmo vivendo numa capital muito mais bonita que São Paulo. Só sendo mala demais mesmo...
Mas, assim como o que estraga Buenos Aires são os portenhos, o que torna a vida no Rio insuportável são os seus nativos. Eles fuderam a cidade com aquela malemolência, aquele balacobaco, aquele telecoteco, aquele jeitinho, aquela burrice do caralho e, principalmente, com a convicção que ser carioca é algo realmente especial... Não poderiam estar mais equivocados pois ser carioca, na verdade, é...


- Começar uma conversa com “Olha só:” ou “Porra” e terminar com “Demorou!” e ainda achar isso legal...

- Não se conformar com o Rio não ser a capital do País. Talvez, do mundo...

- Não ter a menor ideia que o famoso Biscoito Globo é uma invenção PAULISTA...

- Inventar gírias e expressões asquerosas como “É ruim!”, “Deu mole!”, “Deu ruim!”, “Coé?”, “Rala-Peito”, “Demorou!, “Péla-Saco”, “Tô Grandão!”, “Marrento”, “Fe-show!”, “Fazer um Boneco”, “Arrombado!” e “BUCETA”, esta última para indicar um corte comprido e profundo em alguma parte do corpo...

- Se achar muito esperto e o outro sempre um otário.

- Ter que ouvir o taxista tagarelar sem parar, na maioria das vezes, sobre as dezenas de mulheres que ele supostamente já pegou...

- Se achar muito cosmopolita por morar numa cidade grande e famosa, mas não saber e, na verdade, quase desprezar as informações e histórias de outros lugares.

- Chamar todo cidadão oriundo do Nordeste, independentemente de seu estado de origem, de "PARAÍBA".

- Achar que sabe tudo e que consegue enrolar e/ou convencer todo mundo com argumentos absolutamente vazios.

- Se sentar molhado no táxi ou no restaurante e foda-se.

- Não ceder jamais a vez no trânsito.

- Xingar à plenos pulmões o cara que não te cedeu a vez no trânsito.

- Ouvir as maiores intimidades de um estranho qualquer numa fila...

- Ser de uma cidade que é conhecida por bairros de nomes bonitos e glamoroso da Zona Sul como Ipanema, Leblon e Copacabana, Jardim Botânico, São Conrado, mas que ignora bairros e lugares com nomes escrotos como Cordovil, Del Castilho, Zé Garoto, Anil, Curicica, Brás de Pina, Boréu, Praça Seca, Pavuna, Gericinó, Bangu, Parque Arará, Colégio, Manguinhos, Inhoaíba, Taquara, Vila Kosmos, Turiaçu, Realengo (corruptela sem vergonha de Real Engenho), Saúde, Cacúia, Tanque, Vila Kennedy, Campinho, Xerém, Favela do Angu Duro, Favela do Rato Molhado, Favela do Barbante, Morro do Buraco Quente, Morro do Boogie Woogie, Favela do Cachorro Sentado, Chatuba, Cascatinha, Favela da Disneylândia, Favela do Faz Quem Quer, Favela da Playboy, Favela do Fubá, Favela do Kinder Ovo, Nova Jérsei, Favela do Pára-Pedro, Favela do Pau da Fome, Favela do Uga-Uga, Vila Cascatinha, Xumbada, etc.

- Achar que tudo que acontece na cidade é de interesse nacional.

- Participar de um “abraço simbólico” contra a violência no Leblon quando acontece algum crime pavoroso na cidade, mas continuar comprando infalivelmente a sua maconha ou cocaína.

- Achar que o simples fato de ter nascido no Rio de Janeiro significa alguma grande coisa...

- Pensar que Ed Motta, Fernanda Abreu, Pedro Luís e a Parede, Mart’nália, Seu Cuca, Melanina Carioca, o porra louca do “Não é Mole Não!”, Funk e outras porcarias é música.

- Furar fila.

- Ou ainda, ficar 5 minutos na fila e pedir para o cara da frente segurar o lugar.

- Saber que há um time de futebol na cidade com a maior torcida do mundo, com quase 33 milhões de torcedores, mas que é o clube mais endividado do País com um passivo de 623 milhões de reais.

- Achar que pode ir a um casamento de bermuda e chinelo.

- Achar normal entrar num bar ou restaurante onde todos falam aos gritos e, em poucos minutos, ainda conseguir falar mais alto que os outros.

- Achar que a Barra longe e dizer que Búzios é logo ali.

- Morar no Leblon e não gostar de Ipanema. Morar em Ipanema e não gostar de Copacabana. Morar em um desses três bairros e não gostar da Barra. Morar na Barra e não gostar da Zona Sul. Morar em algum dos bairros acima e ter horror ao subúrbio. É morar em qualquer dos lugares citados e achar Niterói uma merda, mesmo sem nunca ter pisado lá...

- Ser de uma cidade que têm inúmeras praias e locais contaminados e de uso proibitivo como Botafogo, Flamengo, Urca, Pepino, Marina da Glória (que fede como um cadáver!), Baía de Guanabara, Praia de Ramos, etc.

- Depender de ar condicionado para sobreviver...

- Viver na cidade mais naturalmente bonita do mundo e que poderia faturar milhões de dólares com turismo pois tem praias famosas, Carnaval e PETRÓLEO, mas que não passa de um lugar violento, imundo e historicamente muito mal administrado...

- Ser adepto do “Postonovecentrismo” pois todo carioca acha que o Universo gira em trono daquele pedaço de praia “alternativo”...

- Achar que 25 graus é frio.

- Achar que alguém já fez uma ponta em Malhação que ele/ela é o novo Lawrence Olivier (apesar de nenhum deles saber quem foi esse cara ...)

- Ser o povo mais maconheiro do Brasil...
                                         
- Conversar sobre QUALQUER assunto com pessoas que sabem dez vezes mais e com a maior autoridade possível!

- Não ter absolutamente NENHUMA autocrítica.

- Ser cretino suficiente para buzinar assim que o sinal abre.

- Estar em qualquer parte da cidade e, de repente, sentir um cheiro fortíssimo de MERDA, que surge do nada...

- Possuir um sotaque que parece baixar o QI de quem ouve em uns 30 pontos, no mínimo...

- Criticar a atual situação das praias da Zona Sul, mas nunca levar de volta o lixo que produziu lá.

- Pensar que a Dona Fulana do Salgueiro ou o Mestre Ciclano da Portela são "artistas" conhecidos e importantes nacionalmente...

- Achar realmente que O Rappa são os Beatles.

- Continuar até hoje com aquela lengalenga de Cidade Maravilhosa, apesar de o Rio há muito tempo ser tratado como lixo...

- Ser o povo debilóide que criou o gritinho “U-hu!”

- Usar a camiseta ou adesivo de carro “GENTILEZA GERA GENTILEZA” mas não ter NENHUM compromisso com essa prática.

- Morar num lugar que tem uma cópia da estátua da liberdade na frente de um shopping...

- Ter todos cuidados possíveis com o corpo e nenhum com a cidade.

- Morar em uma lugar que lembra Esparta pois é cheia de caras fortes, agressivos, sem camisa e incrivelmente burros...

- Criar um negócio chamado “ARRASTÃO”.

- Saber que no Leblon, o bairro com o IPTU mais caro do País, tem um canal a céu aberto cheio de... Ora, vejam só... MERDA!

- Ficar íntimo em poucos segundos de alguém que acabou de conhecer e dizer "Bora marcar alguma coisa amanhã! E nunca marcar...

- Sair de casa com uma hora de antecedência para procurar vaga para estacionar.

- E pagar ANTECIPADO 10, 20, 30 reais (ou mais) para poder estacionar.

- Criar termos como “Além-Túnel” e “Z. N.” (Zona Norte) para designar gente que mora no subúrbio.

- Falar que os políticos "de Brasília" são corruptos mas sempre que possível propor uma propinazinha na blitz...

- Mijar no copinho e atirar na galera no Maracanã rindo.

- Morar em uma cidade cujo o símbolo é uma estátua e ser a capital brasileira que tem mais esculturas a céu aberto, porém que estão degradadas, abandonadas e sem identificação, o que as tornam uma grande latrina de pássaros.

- Bater palmas para o pôr-do-sol. Mas se isso fosse um costume nordestino ou de outro povo, sacanear isso infinitamente.

- E, por fim, ser carioca é... Não concordar e, muito menos, entender NENHUM dos pontos acima.


Adolar Gangorra tem 72 anos, é editor do site www.adolargangorra.com.br e é “carioca, porra!”


sexta-feira, 26 de junho de 2015

VOAR NÃO É TÃO LEGAL ASSIM


Via de regra todo homem sonha com três coisas em fases diferentes de sua vida na vida: quando é criança ele quer voar. Sair pelos céus naquela descaralhagem total.
Já adolescente, ele quer ser invisível para poder entrar no banheiro feminino.
E quando, mais velho e maduro, só quer mesmo poder assistir calmamente sua sogra sendo devorada viva por um urso pardo e cinco crocodilos ao mesmo tempo, berrando desesperada por ajuda, enquanto ele olha e se delicia com aquela imagem idílica que lhe traz tanta paz de espírito e felicidade pura... Até perceber que ela destroçou os seis pobres coitados...

Ok, voar parece ser tão legal e idílico, né?  É a coisa mais bacana do mundo, você diria. A gente sonha direto que está voando e acorda amarradão. Mas será mesmo que voar é tão bom assim? Vejamos: imagine que você, por algum poder superior, pode voar. Mas que do ka-rá-li-o, hein? É praticamente um super-herói. Um mito. Uma lenda. Pode vender seu carro, brother. Chega de ônibus, táxi, metrô, moto, bicicletinha, pé e até avião! Você vai poder sair por aí pra onde quiser sem pagar nada, velho. Num pulo você já estará lá nas nuvens! É só sair voando, malandro!

Bom, não quero ser estraga-prazeres do seu sonho de criança, mas a verdade que voar é foda, bicho. Por que? Vamos lá: frio, vento, controladores de voo, fios elétricos, raios, trafego aéreo, etc. Por exemplo: você teria que saber de cor todas as rotas aéreas dos aviões. Senão vai ser abalroado por eles. Já pensou nisso? Não, eu sei que não pensou...

Há várias paradas que você tem que ficar ligado. Na verdade, para voar necessita-se ter CONTROLE sobre o voo. E como tu não é nenhuma águia e sim um ser humano, sua anatomia é feita pra andar somente, lembra? Pra voar, nada... Então, você pode até subir, ficar flutuando lá em cima, mas como é que você vai conseguir descer já que tu não tem motor, flaps, aerodinâmica e o caralho? Batendo os bracinhos? Sendo puxado por uma corda amarrada num carro? Rezando? Pois é, otário, subir é muito fácil, mas ir de um ponto a outro no ar e, principalmente, voltar pro chão é que são elas...
Voar como o Super-Homem é uma coisa... Ele só faz é esticar o braço pra frente e sai no pau por aí. Mas você não nasceu em Kripton? Ou nasceu? Não nasceu? Pois é, seu prego... Como é que tu vai fazer?

E tá ligado no frio do cacete que faz lá em cima? Lá no alto rola até MENOS 70°C! E quanto maior a altitude, menor a temperatura. Quanto mais alto você subir, mais tu vai congelar. E também não vai ter ar pra respirar. Mas que legal, hein?

Outra coisa: você acha mesmo que o vento que faz aqui em baixo é o mesmo que faz lá em cima?  Ok, um dia você sai por aí voando pra ir na padaria comprar uns churros e vai parar na Índia, seu idiota! Lá em cima a parada é muito sinistra! Saca aquele vento que é necessário pra fazer um 777 passar por uma turbulência escrota? Pois é. É esse tipo de vento que tu vai encarar lá em cima. Tu não vai voar, vai é ficar dando cambalhota que nem uma toalha na máquina de lavar, bicho. Lembra do maluco do Padre Voador? Aquele que também achava que voar era a coisa mais legal do mundo? Pois é, ele resolveu construir uma cadeirinha com vários balões pra sair voando por aí. O único céu que ele atingiu foi aquele outro que rolou depois que ele MORREU! Subiu, subiu, subiu, aí o ventão levou o brother pro meio do mar, os balõezinhos explodiram e ele se fo-deu geral.

Então, maconheiro, se tu quiser insistir com essa merda, vai ter que dar um rolé mais aqui por baixo mesmo.  vai ter fio elétrico - você pode morrer se triscar num desses -, cerol de pipa de desocupado, teco-tecos descontrolados e um monte de filha da puta querendo te acertar com um estilingue, pedrada, etc.
Bom, isso se chama “inveja da galera”. De todos os sete bilhões de habitantes do planeta você é o ÚNICO que pode voar. Imagina a merda! É CLARO que neguinho vai fazer uma cara muito feia pra você, né? Haja macumba pra tu cair todo santo dia. E também a sua privacidade vai pras cucuias em minutos... Imagina quando você resolvesse dar uma voadinha tranquila, quantos mil paparazzi estariam te esperando na porta da sua casa pra fotografias, crianças com celular na mão, drones te seguindo, televisões transmitindo seus voos 24 horas por dia ao vivo e tudo mais. Chato, né? Todo mundo vendo o exibidão lá tirando onda de Super-Pica...

Então, pare com essa palhaçada infantil de querer voar e adote logo um sonho adulto de verdade que é ser invisível pra ficar lá dentro do banheiro das mulheres e pronto, seu cretino imaturo!


Adolar Gangorra tem 78 anos, é editor do blog adolargangorra.blogspot.com.br, jura que galinha voa porque sua filha é aeromoça.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Hummm... Isso me lembrou de alguma coisa... : )


https://www.youtube.com/watch?v=-OIpQL3hSA8


COMO ME FUDI NO SHOW DOS LOS HERMANOS!

Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em bastante contato umas garotas legais, né?

Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava era mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.

Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish.Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito "vibrão" de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!

Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil "Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.", finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!

Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, "do bem" como eles mesmo falam... Mas que não me deram muita conversa. "Do bem", isso mesmo! Gíria nova... Todos aqui são "do bem". E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington... Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!

Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí... acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: "De quem você é fã?", perguntou. Pô, eu me amarro no George..." Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: "Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!" Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de "Seu"! Seu Jorge! Isso é que é fã! "Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!", ela emendou. Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison?
Essa eu não entendi...
Logo ela perguntou quais bandas que eu gostava. "Eu curtia aquela banda da Bahia...".
"Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!" "Não, Camisa de Vênus! "Silvia! Piranha!" cantei, rindo. A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: "Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?" Óbvio que não funcionou... Aí, acho que dei um fora...

Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles "promovem um resgate da boa música brasileira". "Tipo Os Raimundos com o forró?", perguntei. "Claro que não!", disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Hermanos com nada porque "eles são únicos", apesar de hoje existirem outros excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também "Marginalia" ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles... Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando saí do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit "Mintchura". Ainda bem que tudo mudou, né?

Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam "Os Irmãos"? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!

Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos "Hermanos", ela usou a expressão "do bem" umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá... Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda... Cacete...! O que era mesmo?

De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: "Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?" Ela disse um "não" esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam "Los Hermanos"! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento "Dark", como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista "Dark" brasileiro... Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: "Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego" ou "O tempo passou na janela é só Carolina não viu". "Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue" ou "Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni". Tudo alegrão, né? Aí, se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!
Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: "Mas ele não é da banda!" Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada...

Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: "Os Irmãos"! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento...

Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: "Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!" Ouvi a seguinte resposta: "Coca-Cola? Isso é muito imperialista... Guaraná é que é brasileiro!" Puxa, que pessoal politizado... Isso mesmo, viva o Brasil! "Yankees, go home", rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o "Janelas"? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles... fazer o quê?

Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: "Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!" Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: "Que Weezer o quê? O nome dessa música é "Cara Estranho". Já vi que não gostou de novo... Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles... Só não consigo dizer qual...

Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: "Filha da putaaaaaaaaaa!" Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho... Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: "Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!", mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera...

O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora! Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: "Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência..." Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É "do bem". É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Rapaz, onde fui me meter?

Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: "...e esse mala aí sem camisa..." Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho... E, afinal, o que significa "mala"?

Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também... Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta! "Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?"
"Que sinal?? Que sinal??", respondi, assustado!
"De buceta, palhaço!", apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. "Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?", gritou o tal hipponga na minha cara.

Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas... (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! "Bento", que nome mais ridículo... Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?

Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando feio pra mim e cantando a seguinte frase: "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?" Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera "do bem" que está aqui!

Apesar de tudo, a banda é realmente é muito boa! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. "Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!"? "Estamos realmente resgatando a nossa cultura!" ? Que exagero... Ei, é só música pop! MÚSICA POP!

Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres! Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: "TOCA ANA JULIA!" Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o "Seu Jorge" Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete...

Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus...

Adolar Gangorra tem 65 anos, é editor do site humorístico www.adolargangorra.com.br e é filho único.