EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA é "1 FILME EM UMA FRASE!"

EI, AMIGOLAS! NO TWITTER, O ADOLAR GANGORRA  é "1 FILME EM UMA FRASE!"
No Twitter, Adolar Gangorra é "1 Filme Em Uma Frase!" ( @UmFilmEmUmaFras ). Sim, amigolas! Adolar Gangorra vai ao cinema sem cueca pra pegar um ar gelado nas bolas e sempre dorme. Depois sai contando pra todo mundo só a parte que ele viu...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A MODA DOS JOVENS PUBLICITÁRIOS

Em cada nova turma de Publicidade & Propaganda, no “estupendo” curso de Comunicação Social, pode-se encontrar facilmente vários e entusiasmados aspirantes a publicitários, ávidos para se tornarem profissionais famosos, premiados e endinheirados. Mas, em vez desses calouros meterem as caras nos livros ou arranjarem estágios não-remunerados lá pelo 3º semestre para entender a fundo o ofício, preferem escolher um caminho enganosamente bem mais fácil para parecerem ser publicitários de verdade: começam a copiar o estilo de vida e a aparência modernosa e estilística de pessoas supostamente descoladas e blasés desse meio, mas que acabam entrando para o mercado profissional mesmo não sabendo quem sejam Marshal Mcluhan, Bill Bernbach ou Oliviero Toscani.

Até a esteticamente desastrosa década de 80, o auge social de um profissional de publicidade era cheirar cocaína e usar gravatas com estampas debilóides tipo Looney Tunes, suspensórios e óculos de armação colorida. Tudo ia muito bem naquela ideologia "Sou um artista de talento ainda não descoberto", quando, de repente, no início dos anos 90, a estética Heroin Chic e o escabroso movimento tecno chegaram aqui com força para piorar o que já era deveras constrangedor. Assim, possuir um "look" (desculpem) europeu era pré-requisito para estudantes e estagiários de Publicidade parecerem "antenados" (desculpem 2) e conseguirem assim não serem expulsos à tapas das rodinhas de conversa desse meio. Assim esses cabeças de bagres começaram a usar roupinhas pretas, calças jeans puídas, tênis All Star sujos e assumir a postura cervical de uma seriema.

A moda agora é gostar de tecno e das bandas indies mesmo que você seja surdo - o que seria um alívio, com certeza! É sabido que ninguém entende porra nenhuma do que os "famosos" D. J.s tocam, mas todo mundo finge estar adorando o que esse "pick-up-rêtas" estão defecando nas pistas. Os aprendizes de publicitários em vez de saberem como se faz um plano de mídia ou as técnicas básicos de redação de um texto publicitário preferem ter na pontas de suas línguas nome "escrositos" (escroto + esquisito) como "Raja Ram", "Tiesto" e “DJ Kolorau”! Em vez de de frequentarem a biblioteca, preferem as famosas raves, o que, na melhor das hipóteses, parecem um convescote típico de alguma pintura “alegre” de Brueguel! Uma pseudo postura alienada e niilista esconde, na verdade, uma ignorância oceânica em relação a tudo que não seja a próxima festinha ou show de alguma banda inglesa esquálida que venha tocar mal no TIM Festival. Mas como ser um Publicitário decente se esses vagabundos não gostam nem de LER??? Querem tudo pronto, mastigado, mas ler que é bom, nada! Parecem que estão escovando os dentes com cocô quando lêem um texto de dois parágrafos sobre o temas complicados como "Vovô Viu a Uva"! E o ectasy virou a droguinha do momento... Mas que época importante nós estamos vivendo, hein?

Roupas como a camiseta como a logo da Puma viraram unanimidades. A famosa gola rolê, mesmo no calor infernal que faz aqui nos trópicos, é uma peça bastante prestigiada. Qualquer outra camisinha com referência retrô ou trocadilhos com grifes famosas e “piadas hilariantes” como endosso ao débil mental mexicano Chavez ou do seu alter-ego em escrotidão Chapolin serve bem para "mostrar" que você tem algum sendo de humor, por mais batida que essa piada esteja hoje. O piercing é exigência sine qua non (ok, você não sabe que significa, tudo bem...) para que o estudante de Publicidade consiga ter uma vida social mínima. Você não será ninguém nesse meio se não tiver uma argola estilo bovina trespassada em algum lugar da cara ou de lugares "pouco" sensíveis como língua, mamilos ou genitais. Como você vai ser convidado pra alguma festinha se não tiver algum ferro na cara, né? Ah, você pensou que essa vida de publicitário seria tão moleza assim? No pain, no social gain, bro! E quanto mais radical melhor, no nível se o palhaço passar nu por um detector de metal fará o dispositivo disparar que nem uma sirene de ambulância! Então, aproveite essa saudável onda de automutilação e faça alguma tatuagem também, de preferência alguma tribal ou um ideograma ou alguma outra merda sem sentido, escrita em árabe ou em letras caligrafadas, pois isso conta bastante ponto também.

E a obsessão anti-ortopédica pelos tênis All Star faz desse grupo estudantil e profissional (?) parecer que usa uniformes que nem a meninada do Ensino Fundamental! Porque usar tanto um tênis que não tem nem amortecimento de ar ou gel e sim uma “confortável” e dura borracha sólida como solado? Eu disse “amortecimento”? Desculpem o trocadilho, mas, nesse caso, seria um “amor ao cimento” mesmo dessa turba acéfala que adora esse tênis! Mas nada mesmo se compara a neurose do ipod. Como saber se você é um profissional se você não tem um, não é mesmo? Hoje em dia, entrar no trabalho ou ir a aula com aqueles fones brancos saindo das orelhas corresponde a ter um mestrado em Comunicação. Logo virá o dia em que as universidades incluíram em seus cursos como "Introdução ao Ipod" e "Metodologia do Download 1" de tão imprescindíveis que esses porta-arquivos digitais se tornarem nesses meios. "Mensalidade de 2 mil reais? Tá, tudo bem, meu pai paga, mas eu vou ganhar um Nano de brinde na matrícula, né?"

A verdade é que o estudante de publicidade médio, via de regra, é o bundão que não foi macho suficiente pra ser jornalista nem lesado totalmente para se formar em Relações Públicas, então acabou preferindo cursar Publicidade e Propaganda porque sempre achou os anúncios da televisão "muito massa!" Mas não é por causa disso que empilhará equívoco sobre equívoco ao se fantasiar de idiota para parecer competente. Nesse caso, não é o (mau) hábito que faz o monge. Mas, pensando bem, talvez uma lustrosa farda verde-oliva poderia resolver bem esse problema...


Adolar Gangorra tem 64 anos é editor do site www.adolargangorra mas aceita sem problemas ser chamado de filho da puta, mas se ofende enormemente quando o chamam de "publicitário" no meio da rua!

16 comentários:

Naja Najito disse...

Muito bom o texto, Adolar. Conseguiu mostrar, de forma elegante e crítica, como funciona a cabeça dos jovens publicitários.

Tatiana C. disse...

Fui "lesada o suficente" e me formei em Relações Públicas.

debora blog disse...

Sou publicitária mas diferentemente dos meus pares odeio tênis All-Star e outros acessórios ridículos muito vistos nas agências de propaganda como camisetinhas engraçadas, bonés e tocadores de mp3. Os criativos pensam e se vestem como se fossem eternos adolescentes. Será que um cliente vai se sentir confortável sabendo que a campanha de dez milhões de reais dele está sendo criada por alguém de barbichinha, boné pra trás e que usa uma camisetinha do Chaves?? I don't think so.
No mais, Adolar, como sempre, vc foi muito feliz ao fazer o raio X da cabeca dos publicitários. Parabéns!
That's a bingo!!!

da sua fã ardente,
Débora

PS: Recupere-se logo da colostomia, amor.

Fabiano Albergaria disse...

Rí muito porque é verdade... ainda bem que fui macho o suficiente rs

Abração

aq disse...

Porra, que choque! Valeu mais uma vez por construir um dos melhores textos que ja li... É, assim vai parecer que leio pouco...

aq disse...

E olha que não hein! Adolar Gangorra que é bom redator(brincadeirinha... nao se ofenda).

Talita disse...

adorei o textoo..

é exatamente dessa forma que os jovens pensam...

mas a roupa diz muito sobre 'um publicitário'...portanto devemos mesmo prestar atençao se estamos passando a idéia de que somos bons e responsáveis...ou crianças, simplismente adolescentes...

Fernando disse...

Ótimo texto, conseguiu fazer um raio x na mente de alguns publicitários.

kim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
kim disse...

desculpado pelo "look" e "antenado"...pois o texto mais hilário e muito bom como sempre. Sempre achei que fosse "sine quA non"...mas...aliás...eu vou ganhar um Nano de brinde!?!?

daniele disse...

O texto tá perfeito. Mas é quando passamos de lesados a aspirante de publicitários?

ESTADO DE COISAS disse...

O interessante é que a maioria dos publicitários vive um paradoxo. Por um lado deveriam ser inovadores e criativos. Aí, se esforçam tanto para serem diferentes, que acabam todos iguais.
Eu odeio publicitários. E odeio mais ainda ter feito publicidade.

lite disse...

estereótipos péssimos. a moda aqui no mackenzie (creio q na faap e na espm também seja) é o sertanejo universitário. ninguém ouve música q não seja feita por pessoas com nomes duplos, ao melhor estilo das telenovelas mexicanas.
e, tem mesmo, muitos idiotas nas salas de publicidade. Mas NENHUM deles se acha tão dono da verdade quanto um jornalista. tem q ser muito macho pra criar o que vai ser a verdade.
e muito frouxo pra se contentar em registrar o q os outros fazem, manipular e dizer q são os fatos.

Moda Disponivel disse...

Tenho 15 anos e estava pensando em fazer publicidade mas com esse texto nao sei mais se vou,pois pelo que eu vi agora publicidade e desculpa pra marmanjo que nao gosta de estudar se formar em alguma coisa.
nao que todos os publicitários sejam assim ,mas jovens nao fazem uma boa fama para o ramo de publicidade.
muito bom o texto!

Cleyton Cabral disse...

Fato, Adolar. :)

Paola Adams disse...

WTF? Sério?
Vou te dizer bem a real, eu adorei o texto, mas não me enquadro em muitas das coisas que disse. Eu tenho 18 anos, e sou acadêmica de Publicidade e Propaganda. Eu simplesmente amo ler, escrever, estudar, criar arte. Eu amo All Star.
Não estou cursando PP pq não tive coragem de fazer jornalismo, ou relações publicas. Vim para a Publicidade por simplesmente amar essa área.
Então acredito que n da para generalizar tanto.